Marcelo D’Salete: “A desigualdade extrema de hoje tem muito a ver com coisas que não foram superadas do período da escravidão”

capítulo dois

Há duas HQs brasileiras que ultrapassam o sentido de entretenimento. “Cumbe” e “Angola Janga”, ambas de Marcelo D’Salete, são obras que introduzem história, sociologia, antropologia, uma interdisciplinaridade necessária para os temas que o autor coloca em suas páginas.

As duas HQs, lançadas pela Veneta, retratam o período colonial brasileiro, sob a ótica dos escravos.

A palavra cumbe significa quilombo, mas pode ser sol, dia, luz na língua congo. O livro é dividido em oito histórias, como se fossem contos, todos interligados por detalhes que reforçam a unicidade do tema: violência, escravidão, esperança, liberdade. São histórias de perseguição e punição aos negros, não sem sacrifícios e resistência.

Por “Cumbe”, D’Salete ganhou o prêmio Will Eisner, o mais importante dos quadrinhos.

Angola janga é pequena Angola na língua banto quimbundo e era usada para se referir a Palmares. Aqui, D’Salete retrata o período anterior à queda de Palmares e à morte de…

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Mochila nas costas rumo a Auschwitz

Gabi tá na Finlândia

Por aqui o dia tem ficado cada vez mais curto e já não me surpreendo mais quando vejo que ainda são 16h e não 22h como a escuridão nos faz acreditar. E é, também, por causa dessa escuridão que a Finlândia aparece na lista dos países com maior índice de suicídio do mundo (a Finlândia adora protagonizar listas!).

Aproveitarei esse clima pesado para contar mais um dos destinos que tive a oportunidade de conhecer, um lugar de cenário deslumbrante mas com uma energia carregadíssima: o campo de concentração de Auschwitz.

Quem não lembra da história é obrigado a revivê-la

Visitar o campo sempre foi um sonho, meio mórbido eu sei, sonho causado pelo Príncipe Harry! Quando eu era adolescente lia a revista Capricho (não aprendi muito as lições de moda e maquiagem, mas juro que lia!) e lembro de ter visto uma foto do príncipe fantasiado com um uniforme nazista…

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Intencionalidade e Linguagem: Uma Abordagem Normativa, Pragmatista e Inferencialista – Robert B. Brandom (Tradução de Raffz Vieira)

Neoiluminismo

I. Intencionalidade

Neste ensaio eu apresento uma bateria de conceitos, distinções, terminologias e questões que são amplamente utilizados entre filósofos da mente e da linguagem que discutem sobre intencionalidade. Juntos, eles definem um espaço de possíveis prioridades e estratégias com poder explanador. Em adição, eu esboço um grupo sistemático e interligado de compromissos a respeito das relações entre estes conceitos e distinções, os quais subscrevem um distinto grupo de respostas para algumas das mais importantes dessas questões. Esse método normativo, pragmatista e inferencialista para com intencionalidade e linguagem é bem mais controverso. Eu desenvolvi e apresentei-o em alguns livros durante as duas últimas décadas. No contexto atual, a sua exposição serve ao menos para ilustrar como se deve formar um framework pelo qual se pensará sobre as relações entre essas questões supracitadas.

O uso filosófico contemporâneo do termo escolástico medieval “intencionalidade” foi introduzido por Franz Brentano [1838-1917]. O seu estudante…

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